Pinturas corporais dos Povos do Rio Omo pelas lentes do alemão Hans Sylvester

O fotógrafo alemão Hans Silvester, encontrou em suas viagens junto à fronteira da Etiópia, do Quênia e do atual Sudão do Sul, ao longo do vale do rio Omo, nativos que segundo ele, seriam considerados gênios da pintura no Ocidente;

pois seus traços lembram muito a arte contemporânea de Picasso, Miró, Paul Klee e Tapies. O fotógrafo passou seis anos na região e suas lentes registraram os nativos com seus corpos pintados e adornados como verdadeiras obras de arte natural e seu trabalho resultou no excepcional livro Natural Fashion – Tribal Decoration From Africa (2010).

As pinturas

A técnica da pintura corporal dos Povos do Rio Omo é possível pela variedade de pigmentos naturais existentes na região vulcânica do vale Rift. Os integrantes das tribos Mursi e Surma, motivados pelo desejo de serem belos, utilizam sementes, penas, folhas, flores, arranjos de frutas, cascos e galhos de árvores. Artistas natos, transformam a natureza em guarda-roupa natural, com a habilidade dos dedos, à velocidade de um “action paint” de Jackson Pollock; além disso, os nativos têm o hábito de “trocar de roupas” até três vezes ao dia.

O Rio Omo

A Etiópia é um dos países mais antigos do mundo e a região do Baixo Vale do Omo, considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, é habitada por aproximadamente 20 povos, em sua maioria pastores nômades que lutam com frequência por água, pastos e armas.

O Rio Omo nasce no Monte Amhara , nos planaltos do Shewa na região central, localizado perto da capital. O rio corta vales profundos, rodeado de vilarejos, sem estradas e sem desenvolvimento e deságua ao sul, no famoso Lago Turkana, na fronteira com o Quênia.

Em suas margens, arqueólogos encontraram o “Homem de Kibish”, um ancestral de cerca de 195 mil anos, o Homo sapiens mais antigo até agora. Anualmente, o rio inunda e recua deixando o solo fértil, possibilitando o cultivo de sorgo, milho, feijão e outras culturas das 200 mil pessoas que vivem na região.

As tribos Dassanesh, os Mursi, Hamar, Karo, Bume e Beshadar, ainda preservam sua cultura, suas leis e tradições, com danças exóticas, pinturas no rosto e no corpo, roupas feitas com peles de animais e praticam rituais sangrentos.

A ameaça da construção da hidrelétrica

Apesar da falta de desenvolvimento, o governo local está empenhado em construir uma barragem que gerará energia para a capital e as consequências da construção serão catastróficas, pois o Omo ficará reduzido a um quinto e trará sérios impactos socioambientais irreversíveis à população nativa. A construção está sendo financiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento e outro banco chinês e construído por uma empresa italiana e outros empreendedores.

Segundo Hans, um dos principais enfoques das fotografias é a noção do “corpo como paisagem”; entretanto a exposição revelou a vida e a arte de povos ainda desconhecidos e suas fotos serviram de alerta mundial pela fragilidade das tribos que estão sendo ameaçadas de extinção, diante da construção da hidrelétrica.

O local é um dos poucos lugares na Terra em que se encontram tribos que não foram influenciadas pela “civilização” , com tamanha importância arqueológica, cultural e ecológica. A obra destruirá culturas milenares e ecossistemas em troca de energia elétrica. Será que vale realmente a pena?

O livro Ethiopia: Peoples of the Omo Valley (ABRAMS, 2007) possui 464 páginas que celebram em dois volumes o mais instigante e rico universo visual das tribos etíopes, registrando seus rituais, procissões, brincadeiras infantis e suas lutas.

Fonte:

http://lounge.obviousmag.org/anna_anjos/2012/10/hans-silvester-nasceu-na-alemanha.html

Conheça outras tribos ameaçadas:

http://www.survivalinternational.org/povos/vale-do-omo